Histórico

O início do Sindjornal

O Sindicato dos Jornalistas de alagoas foi criado em 29 de agosto de 1949, a partir de reuniões de um grupo de profissionais que se encontravam no Sindicato dos Trabalhadores, no parque Rio Branco no Centro de Maceió para discutir o dia-a-dia das redações.

A entidade surgiu, primeiramente, como associação que, na ocasião, não tinha poder de mobilizar a categoria, na época composta por poucos profissionais. A maioria não tinha carteira assinada, nem salário fixo: apenas desfrutava da profissão para momentos de lazer e acesso a privilégios como passagens aéreas, cinemas e até abatimento no imposto de renda.

Os primeiros a organizarem o sindicato foram os jornalistas Carivaldo Brandão, Zacarias Santana, Cavalcante Barros e Aldo Ivo. Somente com a reforma trabalhista do governo Getúlio Vargas é que o sindicato começou a ser constituído legalmente. A partir daí, além de Carivaldo Brandão, o Sindicato dos Jornalistas foi presidido por José Otávio da Rocha e por José Aldo Ivo, nas décadas de 60 e 70.

Espírito de luta, criação do curso de Jornalismo e a primeira greve

Entretanto, o espírito de luta sindical só teve início na época da ditadura militar, a partir do momento em que João Vicente de Freitas Neto tomou posse como presidente da entidade. A categoria passou a se organizar a partir da realização do Congresso Nacional dos Jornalistas de 1978, realizado em Maceió, quando se deliberou, inclusive, a proposta de criação do curso de graduação de nível superior em Jornalismo na Universidade Federal de Alagoas, ideia abraçada ainda na gestão anterior, de José Aldo Ivo.

Em 1979, os jornalistas, sob o comando de Freitas Neto, deflagraram a primeira greve geral, depois da abertura política do regime militar que proporcionou a anistia de vários políticos, sindicalistas e artistas que foram exilados em países da América Latina e Europa.

Disputa eleitoral com os patrões

Na década de 80, Freitas Neto teve como sucessor Denis Agra Jatobá, que concorreu a uma eleição que rompeu os limites da entidade e ganhou a atenção da população alagoana. A disputa se deu entre duas chapas, sendo a adversária de Agra apoiada pelos empresários de comunicação do Estado. Isto levou a campanha eleitoral aos outdoors, veículos de comunicação e todo o meio sindical do Estado.

A gestão de Denis Agra tratou de organizar a política salarial da categoria e a estreitar relações com o curso de Jornalismo da Ufal, para apoiar a luta pelo reconhecimento do curso junto ao Ministério da Educação. A categoria passou a se reunir em assembléias para cobrar a recomposição salarial devido à defasagem provocada pela inflação, cujos índices á época beirava aos 100% por mês.

A luta pela conquista de cinco salários mínimos como piso-salarial foi bem-sucedida em todas as empresas de comunicação, a exceção do Jornal de Alagoas, que se recusou a cumprir a implantação do reajuste e se deparou com a greve de sua redação, que durou dois meses.

No segundo mandato de Denis Agra, outra paralisação mobilizou, desta vez, os jornalistas da Gazeta de Alagoas, que registravam nos contracheques uma defasagem de dois salários mínimos em relação às demais empresas. Com a recusa do empresário Pedro Collor em cumprir o acordo salarial, a organização Arnon de Mello se viu em uma situação inusitada ao perder profissionais para outras empresas e ter que recorrer aos estudantes de Jornalismo para tocar a redação do jornal e televisão. Walter Oliveira também presidiu a entidade nesses momentos de embate.

Criação do Prêmio Salgema de Jornalismo

A gestão de Denis Agra foi seguida pela do jornalista Adelmo dos Santos. Além de seguir a luta por uma política salarial justa e digna, Adelmo incentivou a implantação do Prêmio Salgema de Jornalismo, que serviu para incentivar e mobilizar a categoria em busca de uma maior qualificação profissional. A empresa tinha, como assessor de comunicação, o jornalista Nelson Ferreira. Foi ele quem sugeriu a criação do prêmio, que existiu por seis anos.

Valorização salarial e regulamentação do estágio

Joaldo Cavalcante assumiu a presidência do Sindicato, após duas gestões consecutivas de Adelmo dos Santos. Como fato marcante de sua gestão destaca-se a valorização salarial da categoria.

Em Alagoas, o jornalista profissional passou a receber um dos maiores pisos salariais do país. A rediscussão sobre a regulamentação do estágio em Jornalismo foi outro ponto marcante da administração de Joaldo Cavalcante. O jornalista Marcelo Firmino complementou o mandato.

Pioneirismo feminino e Prêmio Banco do Brasil

A gestão seguinte foi a de Fátima Almeida que se iniciou em 1996. Fátima foi a primeira mulher a assumir a presidência do sindicato. A gestão começou com um fato negativo: o fim do Prêmio Salgema de Jornalismo. Mas, logo depois, uma vitória: para substituir a premiação extinta, surge o Prêmio Banco do Brasil de Jornalismo, depois de longa negociação com o então assessor do banco oficial em Alagoas, Érico Abreu.

O prêmio existe até hoje. A capacitação da categoria, mediante a aceleração tecnológica dos meios de produção, foi o ponto-chave do primeiro mandato de Fátima. Vários seminários e a reativação dos congressos da categoria marcaram essa administração, bem como a organização da habilitação de assessor de imprensa. Anos depois, foi reativado o Encontro de Jornalistas Assessores de Comunicação (Ejac).

A queda da inflação no final da década de 90, que provocou a redução da reposição salarial, imobilizou todas as categorias de trabalhadores do país. Os jornalistas também sofreram com isso. As empresas chegaram a sugerir a redução do piso salarial, o que reacendeu a luta dos profissionais. O projeto de reforma da Casa da Comunicação, sede do sindicato, também surgiu nesta gestão.

Reinauguração da Casa da Comunicação e luta pelo diploma

A Casa da Comunicação foi reinaugurada, após as reformas, na gestão do sucessor de Fátima Almeida, Antônio Pereira Filho, o Toinho, que assumiu a presidência do sindicato em 2002. Durante a gestão de Toinho Pereira, surge mais uma premiação: o Prêmio Octávio Brandão de Jornalismo Ambiental, criado por iniciativa da representação em Alagoas da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (ABES), em parceria com a Braskem e o sindicato.

A luta pela valorização profissional e contra o exercício ilegal da profissão no Estado foi intensificada, com uma fiscalização ativa nas redações contra o abuso da mão de obra de estagiários por parte dos patrões. O mesmo aconteceu quanto à mobilização por melhorias salariais, mesmo diante da resistência dos patrões em conceder, inclusive, a reposição para as perdas inflacionárias. Outra marca da gestão de Toinho foi o estímulo à integração social da categoria como forma de mobilização.

Exemplo disso foi a criação do “Bar da Comunicação”, um evento de caráter lúdico, que ainda é realizado periodicamente e permite que os jornalistas se encontrem para se divertir, colocar a conversa em dia e trocar experiências.

Luta pelo diploma

Durante essa gestão, a categoria, em todo o país, sofre um duro golpe: a juíza Carla Rischter, da Justiça Federal de São Paulo, emite decisão colocando que, para o exercício do jornalismo como profissão, não é necessário o diploma de curso superior. Com isso, surge a figura do “jornalista precário”, figuras que atuam em meios de comunicação sem registro, de forma ilegal. A Fenaj recorre para o Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, em São Paulo.

Comissão de Assessoria, Cojira e NEJ

Carlos Roberto Pereira Leite foi o sucessor de Toinho, assumindo a presidência do sindicato em 2005. Em sua gestão, além de persistir na luta pela valorização profissional e contra o exercício ilegal da profissão, o sindicato ganha força institucional, com a criação da Comissão de Mobilização em Assessoria de Comunicação, da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) e do Núcleo de Eco-jornalistas (NEJ).

Foi nesta gestão que o TRF da 3ª Região, em São Paulo, julgou favorável recurso da Fenaj contra a decisão de anular a validade do diploma de nível superior em Jornalismo da juíza Carla Rischter. A partir daí, o sindicato encampou uma ferrenha campanha pela valorização do diploma e contra o exercício ilegal da profissão.

Diversas ações na Justiça do Trabalho foram movidas contra empresas e pessoas que vinham exercendo o ofício ilegalmente. Contudo, meses depois, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, decidiu recursar contra a decisão do TRF da 3ª Região e o processo subiu para o Supremo Tribunal Federal. A matéria ainda não foi julgada pelos ministros do STF.

Jorgraf e Tribuna Independente

A gestão de Carlos Roberto também enfrentou uma “prova de fogo” que, depois, resultou em uma grande e inédita vitória da categoria. No final de 2006, após meses de visível crise financeira, salários atrasados, exploração e perseguição por parte dos responsáveis pela empresa, os jornalistas da Tribuna de Alagoas, em conjunto com gráficos e demais funcionários, deflagraram greve.

Os responsáveis pela empresa desapareceram, o que provocou, por parte dos funcionários, diversas manifestações públicas. Os trabalhadores também chegaram a ocupar o prédio-sede do jornal, acampando no imóvel por semanas. Em meados de 2007, com o apoio dos sindicatos dos Jornalistas e dos Gráficos, os funcionários produzem e publicam, como parte das manifestações, o jornal Tribuna Independente.

De início, as edições eram publicadas esporadicamente. No mesmo ano, os trabalhadores, assistidos pelos dois sindicatos, fundaram a Jorgraf, uma cooperativa de jornalistas e gráficos, para editar o Jornal Tribuna Independente, que passou a ser diário.

A criação da cooperativa é considerada iniciativa pioneira no país e é tomada como modelo por jornalistas de outros Estados que vivem situações de crise semelhantes à vivida pelos funcionários da extinta Tribuna de Alagoas. A luta pelos direitos trabalhistas de funcionários da empresa extinta continua na Justiça do Trabalho.