Empresas de Collor acumulam mais de R$ 256 milhões em dívidas trabalhistas

CARROS COLLOR
Os atos valem mais que as palavras. A expressão é antiga, mas não parece estar entre as mais utilizadas pelo senador Fernando Collor de Mello (PTC/AL). No que diz respeito aos profissionais e trabalhadores de suas empresas, a distância entre o discurso do senador e o que acontece na prática parece ser maior do que a distância entre as Organizações Arnon de Mello (OAM), em Maceió, e a Casa da Dinda, residência do ex-presidente em Brasília (DF).
Fernando Collor foi um dos senadores alagoanos, ao lado de Renan Calheiros (MDB), a votar contra a Reforma Trabalhista no Congresso Nacional, que acabou com diversas conquistas e direitos dos trabalhadores brasileiros, estabelecendo a jornada intermitente e ferindo de morte a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Enquanto defendia no Congresso “salvaguardar os direitos dos trabalhadores, especialmente daqueles mais vulneráveis” e combatia “a volta do clima de intranquilidade da classe trabalhadora”, o senador esquecia a intranquilidade constante de seus funcionários em Maceió, incertos quanto ao cumprimento de exigências como o recolhimento do FGTS e INSS por parte das empresas das Organizações Arnon de Mello, além de demissões arbitrárias, outra prática das empresas de Collor.
Atualmente, a OAM acumula uma dívida consolidada de R$ 256.321.514,51 referente aos atrasos do repasse de direitos trabalhistas de funcionários do jornal Gazeta de Alagoas, da Rádio Gazeta e da TV Gazeta, retransmissora da Rede Globo. De acordo com dados do Cadastro Virtual de Atendimento ao Consumidor (e-CAC), da Receita Federal, o calote de Collor referente aos funcionários do jornal Gazeta soma R$ 112.598.570,84. Com relação à TV Gazeta, a dívida é R$ 138.539.543,94 e, quanto à Rádio Gazeta, mais R$ 5.233.399,73.
Os atrasos e as negativas em recolher os direitos trabalhistas dos trabalhadores da OAM já renderam ao senador diversas ações na Justiça do Trabalho. Em 2014, quando a OAM acumulava um atraso de 12 anos nos repasses para o FGTS, as empresas de Collor foram condenadas pela 8ª Vara do Trabalho de Maceió a quitar os débitos em 30 dias e pagamento de R$ 1.000,00 por funcionário prejudicado, em uma ação cujo valor foi fixado em R$ 3 milhões.
Em 2015, um novo inquérito civil instaurado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) apontava, na OAM, “o não pagamento de horas extras aos funcionários (incluindo as de domingos e feriados), descontos inexplicáveis no contracheque dos trabalhadores, suspensão de férias, terceirizações da atividade fim, não assinatura de carteiras de trabalho, exploração de estagiários, e a imposição de acordo individual para a compensação de horas trabalhadas”.
Dos três alagoanos no Senado, apenas o senador Benedito de Lira (PP) votou a favor da Reforma Trabalhista. Apesar do posicionamento contrário às conquistas dos trabalhadores, Benedito ao menos se manteve fiel ao seu ponto de vista retrógrado. Collor, por sua vez, surpreendeu – pelo menos os seus próprios funcionários.
Patrimônio
A falta de atenção de Collor sobre os cuidados com seus funcionários não parece ser a mesma quando suas próprias finanças estão em jogo. Em sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral mediante registro de candidatura ao Governo de Alagoas, o senador afirmou ter um patrimônio de R$ 20.683.101,57.
A relação interminável de bens do candidato inclui desde um veículo de luxo no valor de R$ 943 mil a um terreno avaliado em apenas R$ 69,39, passando por embarcações e apartamentos de alto padrão, obras de arte, joias, ações e cotas de capital.
A declaração aponta que Collor é proprietário de 29 terrenos, apartamentos, casas e prédios residenciais. No total, o patrimônio em bens imóveis do senador soma R$ 2.884.691,27, incluindo um apartamento avaliado em R$ 1.844.332,71. As cidades onde os imóveis estão localizados não foram informadas pela Justiça Eleitoral.
Entre os 13 carros, motocicletas, caminhonetes, caminhões, lanchas, jet-skis e outros veículos declarados – mesmo número de veículos registrados na declaração de bens para as eleições de 2014 -, uma fortuna ainda maior: assustadores R$ 3.257.923,53, incluindo um no valor de R$ 943.611,73 e outro no valor de R$ 497.215,10, não especificados.
Alguns veículos de Collor são bastante conhecidos da mídia. A linda Lamborghini Aventador LP 700-4 Roadster – que quase foi confiscada em 2016 pelo banco Bradesco por falta de pagamento das prestações -, a Ferrari 458 Italia e um Porsche Panamera Turbo chegaram a ser apreendidos pela Polícia Federal em 2015, na também famosa Casa da Dinda, residência de Collor em Brasília, durante as investigações da Operação Lava Jato, que investiga um gigantesco esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras.
No entanto, de acordo com a Polícia Federal, os carros são avaliados, respectivamente, em R$ 3,9 milhões, R$ 1,95 milhão e R$ 999 mil, valores não declarados por Collor à Justiça Eleitoral este ano. À época da apreensão, os veículos de Collor acumulavam ainda uma dívida de R$ 335 mil em parcelas de IPVA atrasadas.
Outro item que chama a atenção na declaração de bens de Fernando Collor é o número de empréstimos contraídos pelo senador. São nove operações: de R$ 2.031.695,33, R$ 316.807,68, R$ 900.000,00, R$ 1.129.897,53, R$ 400.000,00, R$ 1.078.577,02, R$ 600.000,00, R$ 750.000,00 e R$ 900.000,00, totalizando R$ 8.106.977,56.
No que se refere a dívidas trabalhistas, impostos e empréstimos, ao que tudo indica, Collor deve, não paga e nega o quanto puder.

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