Apagão de notícias: jornalistas de Alagoas entram no 7º dia de greve

A greve dos jornalistas de Alagoas contra a redução de 40% do piso salarial chega ao sétimo dia nesta segunda-feira (1º) sem acordo com os patrões. Há uma semana, quem liga a TV se depara com um noticiário desatualizado e muitas gafes de âncoras despreparados, contratados às pressas irregularmente para substituir os grevistas. A queda de qualidade vem sendo criticada pela população e virado piada na internet.

A proposta é capitaneada pelos três maiores grupos de comunicação do estado: a Organização Arnon de Mello (OAM), do senador Fernando Collor (TV Gazeta – afiliada Globo, portais G1 e Gazetaweb, jornal Gazeta de Alagoas e TV Mar), o Pajuçara Sistema de Comunicação, da família do prefeito de Maceió, Rui Palmeira, e dos donos da Sococo (TV Pajuçara – afiliada Record e portal TNH1) e o Sistema Opinião (TV Ponta Verde e portal OP9), do Grupo Hapvida.

O maior grupo de comunicação de Alagoas pertence ao senador Fernando Collor e é um dos maiores devedores de FGTS e INSS do Brasil. Atualmente, a OAM acumula uma dívida de quase R$ 300 milhões referente aos direitos trabalhistas de funcionários do jornal Gazeta de Alagoas, da Rádio Gazeta e da TV Gazeta, retransmissora da Rede Globo.

Segundo a Operação Lava Jato, Collor usou essas empresas para lavar dinheiro desviado da BR Distribuidora. O operador seria ninguém menos que o testa de ferro do senador, o militar e diretor executivo da OAM Luis Amorim. As ações penais movidas contra os dois devem ser julgadas neste segundo semestre pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O movimento alcançou os Trend Topics do Twitter em vários momentos com as hashtags #jornalismodesegunda, #6DiasSemElas, #quempagafazaovivo e tem sido apoiado por entidades, políticos e jornalistas de todo o país.

PADRÃO GLOBO DESPENCA

Com mais de 90% dos profissionais em greve, a TV Gazeta (Globo) e a TV Ponta Verde (SBT) recorreram à contratação irregular de ex-estagiários e recém-formados, sem experiência alguma em televisão, para colocar os telejornais no ar. O resultado é grotesco: “matérias” sem imagens, reprise de reportagens de até dois anos atrás, entradas “ao vivo” gravadas no estúdio e artes mal desenhadas. A patuscada tem sido comparada a trabalho escolar pelo público.

Durante toda a greve, o Bom Dia Alagoas simula ser ao vivo, mas tem sido gravado na noite anterior. Nesta segunda (1º), o jornal “barrigou” ao tratar Marcelo Cabo como técnico do CSA: Cabo foi dispensado na noite de ontem, provavelmente após a gravação do jornal.

O amadorismo tem gerado memes como o “caminhão voador”, após a âncora inexperiente dizer que o cantor Gabriel Diniz morreu em uma queda de caminhão. O erro foi noticiado por portais nacionais.

O portal G1 Alagoas, com 100% dos funcionários em greve, deixou de funcionar na última quarta-feira (26), quando o editor-geral entregou o cargo para juntar-se ao movimento. Todos os produtores de rede da afiliada Globo em Alagoas entregaram seus cargos no início da greve.

A greve pode ser acompanhada pelas redes do Sindjornal – Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (@sindjornal) e pelas hashtags #reduçãosalarialnão, #jornalismodesegunda e #quempagafazaovivo.

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